
Estimativas abrangentes que decomponham os custos por diferentes partes interessadas, que considerem desigualdades entre regiões geográficas e que contabilizem perdas de produtividade e outros custos não tangíveis são escassas, embora estruturas analíticas para a análise dos custos econômicos da malária já tenham sido propostas.
Os custos econômicos geralmente se enquadram em duas categorias: diretos (tratamento e controle) e indiretos (valor do tempo perdido devido à morbidade ou à mortalidade prematura). Esses custos representam um ônus para o sistema de saúde, para os indivíduos, suas famílias e para a comunidade em geral.
Estimativas do custo econômico da malária em nível nacional ou regional frequentemente variam em diversos aspectos: (i) tipos de custos considerados, (ii) número de anos de dados utilizados, (iii) escolha da perspectiva da análise de custos (prestador ou sociedade), (iv) cobertura geográfica e (v) tipos de parasitas considerados. Essas diferenças constituem grandes impedimentos à comparação de resultados entre estudos.
No Brasil, o custo econômico da malária permanece desconhecido. Não há estimativa do custo total, tampouco dos custos detalhados por regiões geográficas menores (o que permitiria capturar melhor as heterogeneidades espaciais da transmissão e a forma como os recursos são gastos). Também há falta de estimativas dos custos decompostos do controle da malária, da vigilância, do manejo de surtos e da prevenção da reintrodução da doença. Além disso, não existe estimativa da parcela dos custos que recai sobre o sistema de saúde, sobre o indivíduo ou sobre a comunidade.
Essa lacuna de conhecimento é uma grande restrição aos esforços para otimizar o planejamento estratégico do controle local da malária, a alocação de recursos, as análises de custo-efetividade, a sensibilização de diferentes públicos e a defesa de apoio.
Aqui, propomos preencher essa lacuna crítica. Com base em nosso trabalho inovador sobre dengue, desenvolveremos uma estrutura abrangente para estimar o custo econômico da malária no Brasil e em cada estado, para os últimos cinco anos, detalhado por tipo de parasita. Consideramos os últimos cinco anos para obter estimativas em cenários de declínio (antes de 2017) e de aumento (após 2017) da transmissão.
Em resumo, nosso estudo proposto não apenas preencherá uma lacuna de conhecimento, como também fornecerá uma estimativa abrangente do custo econômico da malária, gerando insumos para a formulação de políticas eficazes de controle da malária tanto em nível nacional quanto local.
Em andamento
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Mônica Viegas Andrade - Coordenador / Kenya Noronha - Integrante / LUCAS CARVALHO - Integrante / Aline Souza - Integrante / MARCIA CASTRO - Integrante / Bernardo Campolina Diniz - Integrante / Gilvan Guedes - Integrante / Nayara Abreu Julião - Integrante / SILVA, VALÉRIA ANDRADE - Integrante / HENRIQUE BRACARENESE - Integrante / CASSIO PETERKA - Integrante.